quinta-feira, 11 de abril de 2013

"OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO E FUNDAMENTAL, ESTÃO SENDO CONTEMPLADOS COM O ESTUDO DA HISTORIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA.


"OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO E FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS DA REGIÃO DO GRANDE ABC, ESTÃO SENDO CONTEMPLADOS COM O ESTUDO DA HISTORIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA EM SUAS GRADES CURRICULARES COMO PROMULGA A LEI 11.645/08?"

SÃO BERNARDO DO CAMPO  - 2012

Eu Tenho Um Sonho... "Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade. Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violências físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nossos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar. Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano. Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais". Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter. Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade poderá acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro: Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim".

(Martin Luther King 28 de agosto de 1963 Washington, D.C.)



INTRODUÇÃO

Diante da temática escolhida: "Afros Brasileiros e Indígenas nos Materiais Didáticos" o grupo pensou em abordar uma questão muito pertinente a vida acadêmica, onde será de suma importância estar preparado e embasado para aplicação de normas estabelecidas em lei, quanto às pedagogias e cronogramas estabelecidos e suas aplicações em sala de aula.

Observado que, em nossa formação devemos seguir diretrizes fundamentadas, surgirá uma questão a qual deveria ser respondida, com o intuito de sanar as inquietações da docência, onde seria necessário perceber a realidade diante da teoria.

O ministério da educação e o presidente da republica Luiz Inácio Lula da Silva em 10 de março de 2008 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo escolar da rede de ensino, a obrigatoriedade da temática "Historia e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". Sendo esta assim posteriormente sancionada como lei 11.645/08.

Tendo em vista o cumprimento da referida lei, pelos docentes em exercício no país, algumas observações em estágios e o contato com os materiais didáticos pedagógicos oferecidos pelo ministério da educação, nos incitou a questionar: Os alunos do ensino médio e fundamental nas escolas da região do grande abc estão sendo contemplados com o estudo da historia e cultura afro-brasileira e indígena em suas grades curriculares como promulga a lei?

O grupo sentiu então a necessidade de pesquisar e responder a questão.

Contudo, o grupo orientado pelo Professor Dr. Oswaldo, decidiu utilizar como apoio nas pesquisas bibliográficas principais, as obras de Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Luiz Gama, além de literaturas de apoio, seguido de uma pesquisa de campo com dissentes do ensino médio e fundamental da região do grande abc, sendo 40 alunos com idade entre 12 e 17 anos das escolas de ensino fundamental e médio.

Projeto Adolescente Aprendiz núcleo I.N. do Município de Diadema, com horário de funcionamento das 13h00min as 17h00min onde mantém uma coordenadora do núcleo (educadora social) e um atendente administrativo.

O local é composto de quatro salas, uma de informática equipada e funcional, pátio, banheiros masculinos e femininos e uma estrutura física boa.

Formulamos perguntas de forma amostral utilizando quatro perguntas, com três fechadas e uma aberta. 10

Sistema de questionário, folha individual entregue a cada um (múltipla escolha e dissertativa), fazendo uso de slides em PowerPoint, com quatro imagens para cada folha de apresentação, sendo doze slides com variações de tom, permitindo assim que estes pudessem perceber-se e associar a sua respectiva resposta, quanto à pergunta feita.

Seguimos um cronograma estabelecido junto à instituição e seus respectivos responsáveis, para a realização do mesmo em datas e horários marcados, onde fomos bem recebidos com grande interesse sobre a pesquisa. Foi nos disponibilizado a sala de informática, onde cada aluno dividido e dois grupos de vinte alunos, dispostos cada um em um computador, onde previamente o grupo de pesquisa já havia instalado os slides e disponibilizado folha questionário para resposta.

Com dados em mãos passamos a analisar e elaborar gráficos e resultados colhidos, e algumas literaturas complementares que viessem a colaborar com a conclusão e análise da pergunta.

Com base na realização do trabalho, podemos concluir e responder a pergunta inicial elaborando uma conclusão sobre o problema questão levantada pelo grupo.

Tendo assim uma perspectiva dos fatos, proporcionando ao grupo, orientadores e o leitor, um ponto de vista que possa colaborar para um ensino pedagógico e reflexão filosófica sobre o tema, na busca pela qualidade e cumprimento do currículo escolar determinado e adequando o, à realidade da população brasileira. 11

 

1. LUIZ GAMA – O LIBERDADOR DE ESCRAVOS E SUA MÃE LIBERTÁRIA LUIZA MAHIN

1.1. EDUCAR PARA O FUTURO REVERENCIANDO O PASSADO

A libertação de escravos, de forma semelhante, aparece como uma benevolência, quase caridade a simples assinatura de uma lei por uma princesa "bondosa", sem mais nem menos. A lei Áurea, de 13 de maio de 1888, é definitiva na história ensinada nas escolas. Chega-se a falar de lutas, declaram se poemas de Castro Alves ( um defensor da causa, sem dúvida), e até cita-se um negro Jose do Patrocínio, intelectual também, defensor do fim da escravidão, aceito pela história oficial, o que não o desmerece, mas que não foi o iniciador da luta, o pioneiro. A Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, criada por Joaquim Nabuco e Jose do Patrocínio, no Rio de Janeiro, teve muita importância e sua experiência se esparramou por vários lugares, dezenas de sociedades semelhantes em vários Estados se inspiraram nela. Mas fundação da sociedade aconteceu em 1850, quando ninguém se atrevia a fazer isso. (Benedito, 2011 pag.13 e 14) A história esconde os verdadeiros heróis, como demonstra Mouzar Benedito em sua pequena obra, mas de muito valor. Com isso, observamos a falta de referencia historiográfica nas obras literárias, materiais didáticos e pedagógicos utilizados nas escolas, lugar onde deveríamos compartilhar o conhecimento e reproduzir a verdade sem escondê-la.

De acordo com (Benedito, 2011 pag.21) Para um negro, as coisas eram (e são ainda hoje) muito mais difíceis do que para os brancos. O grupo percebeu em suas observações um pensamento subliminar inserido, onde distorce a história étnica racial do pais, amenizando e maquiando fatos históricos importantes para a valorização do brasileiro em formação escolar, percebe se ainda uma manipulação política para portanto, privar as novas gerações de exercitar a razão e o pensar social de sua identidade como cidadão, quase que arrancando lhes suas referências verdadeiras, promovendo um apagão na memória de um povo.

Luiz Gama, considerado o precursor das lutas abolicionistas no Brasil, era ridicularizado por isso, ser antiescravagista parecia um despropósito na época. Só mais tarde apareceram algumas pessoas como o poeta Castro Alves para engrossar essa luta (Benedito, 2011 pag.31). Um de nossos vários papeis como educador é o de fazer com que esta história não seja 12

esquecida e sim discutida, questionada e faze-la visível como uma mancha em nosso histórico de injustiças para um reflexão e reparação social afim de manter e converter o pensamento enraizando um orgulho por ser o que se é, como brasileiro, miscigenação de raças e culturas.

Segundo Benedito, 2011 pag.31 O negro era visto pela classe dominante como um mero animal de trabalho. Ao nos confrontarmos com essa realidade didática, a qual insiste em modificar um evento real, mantendo os estudantes de todas as etnias inertes a não se perceber como um ser protagonista do seu histórico de lutas, genealogia, e identidade, e projetando lhe um passado irreal e um pensamento que não é o seu verdadeiro, fabricando lhe histórias fantasiosas de um passado de fábulas.

Entendendo Benedito, 2011 pag.55 Luiz Gama reagia com humor às provocações por causa da cor da sua pele, nem por isso era menos radical contra o racismo.

Isso nos provoca o seguinte pensamento, podemos ainda sim ser um povo alegre, piadista e querer viver um futuro diferente e melhor em busca do progresso, mas nossa historiografia e toda sua mazela antropológica devem ser lembradas, discutidas e celebradas, para assim reorganizarmos nossos pensamentos e não permitir casos recorrentes presentes no hoje, ainda sim fundamentalmente reparar o que é possível socialmente em todos os campos de inteligibilidade humana.

(O Navio Negreiro - Castro Alves)

"'Estamos em pleno mar... Doudo no espaço Brinca o luar - dourada borboleta; E as vagas após ele, correm... cansam, Como turba de infantes inquieta."

"Era um sonho dantesco... o tombadilho, Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... Negras mulheres, suspendendo às tetas, Magras crianças, cujas bocas pretas, Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! E ri-se a orquestra irônica, estridente...E da ronda fantástica a serpente, Faz doudas espirais ... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais... Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! No entanto o capitão manda a manobra, E após fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros:"Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!..." E ri-se a orquestra irônica, estridente. E da ronda fantástica a serpente, Faz doudas,espirais...Qual um sonho dantesco as sombras voam!...Gritos, ais, maldições, preces ressoam!E ri-se Satanás!..."

(IN:Espumas Flutuantes.RJ: Edições de Ouro,s.d.p 184 – 5)